Subordinado ao tema “Dinâmicas das Relações Internacionais Contemporâneas e Seus Impactos Para os Estados Membros da CPLP”, o XXXII Seminário Internacional Político-Estratégico (SIPE) do Centro de Análise Estratégica da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CAE/CPLP) realizou-se em 26 de fevereiro de 2026, em formato híbrido.
O objetivo subjacente do seminário prendeu-se em compreender o impacto das atuais dinâmicas das relações internacionais para os Estados-membros da CPLP. Para tanto, buscou-se: (i) Examinar as dinâmicas das relações internacionais contemporâneas (multipolaridade, globalização, regionalização, revisionismo e conflitualidades geopolíticas) e seus impactos nos Estados-membros da CPLP; (ii) Analisar os desafios colocados aos Estados-membros no contexto das atuais dinâmicas das relações internacionais; e (iii) Analisar o posicionamento estratégico dos Estados-membros da CPLP e o papel da CPLP como mecanismo de diplomacia, integração e projeção internacional no contexto das atuais dinâmicas das relações internacionais.
O seminário contou com a moderação do Coronel Armindo Alcides Garcia Sá Nogueira Miranda – Ministério da Defesa de Cabo Verde e teve como conferencistas o Dr. Hélder Estevão Alexandre Cafala – Instituto de Defesa Nacional (Angola), Capitão-de-mar-e-guerra Marcos Alexander Valle De Moura – Ministério da Defesa (Brasil), Professor Doutor Calton Cadeado – Universidade Joaquim Chissano (Moçambique) e Tenente-coronel Moreira Santos – Instituto Universitário Militar (Portugal).
Participaram do seminário Altas Entidades de Defesa e Segurança, Diplomatas, Adidos de Defesa dos Estados-membros da CPLP em Moçambique, Coordenadores dos Núcleos Nacionais do CAE/CPLP nos Estados-membros, académicos, sociedade civil, entre outros convidados interessados na temática.
As conclusões operacionais do seminário evidenciam que o sistema internacional vem atravessando uma transição histórica, de uma ordem bipolar durante a Guerra Fria para uma ordem unipolar depor da Guerra Fria, com alguns autores a considerar de unimultipolar, até a ordem multipolar na atualidade. Com efeito, as dinâmicas das relações internacionais contemporâneas são marcadas por uma crescente complexidade e volatilidade, refletindo as transformações sociais, tecnológicas e económicas em curso.
As tendências geopolíticas e de defesa estão moldando o cenário internacional, com um mundo em alta velocidade transformativa, volátil, incerto, complexo e ambíguo. Na atualidade assiste-se a uma multipolaridade competitiva, instável e sem regras, cuja competição se estende além do campo militar, envolvendo a tecnologia, cadeias produtivas, economia, padrões regulatórios e influência geopolítica.
No contexto atual, o Sul Global assumiu uma postura mais assertiva, com o alargamento dos BRICS a constituir um exemplo dessa nova configuração, na qual os países emergentes buscam maior autonomia estratégica, praticam diplomacia pragmática e adotam formas flexíveis de não alinhamento para defender a sua própria soberania; as relações internacionais envolvem padrões complexos de interação entre atores estatais e não estatais que operam num sistema internacional anárquico. As megatendências mundiais, como a ascensão da China e suas relações com os EUA, estão impactando a política externa dos Estados-membros, exigindo uma reavaliação de atuação nas Relações Internacionais.
O terrorismo global, os conflitos regionais, a proliferação de armas de destruição em massa e as ameaças cibernéticas são os desafios enfrentados pelos atores internacionais na prevenção e gestão de conflitos, bem como as estratégias de cooperação e diplomacia para promover a paz e a estabilidade em um mundo cada vez mais interconectado.
A análise das tensões geopolíticas e do Direito Internacional é crucial para entender os impactos globais e os desafios que a CPLP enfrenta. O Direito Internacional serve como um guia fundamental para a convivência pacífica entre nações, regulando as relações entre estados e outras entidades internacionais. A geopolítica ajuda a decifrar os dilemas atuais, oferecendo um quadro para interpretar como conflitos étnicos, políticos e territoriais moldam a política externa de Portugal, ou seja, a CPLP deve se adaptar às novas dinâmicas globais.
As relações internacionais desempenham um papel crucial no cenário global, influenciando o curso dos acontecimentos políticos, económicos e sociais em todo o mundo. Os desafios contemporâneos enfrentados no campo das relações internacionais, baseiam-se em questões como segurança, direitos humanos, desenvolvimento sustentável e diplomacia multilateral. Ao examinar esses desafios de forma multidimensional entendemos a complexidade do sistema internacional e identificamos possíveis caminhos para enfrentar esses desafios de maneira eficaz.
A política externa das grandes potências influencia as questões de segurança e defesa, económicas dos Estados-membros da CPLP. Paralelamente, os conflitos no interior ou na vizinhança dos Estados-membros da CPLP têm igualmente impacto a sua segurança e defesa.
Os Estados-membros da CPLP estão inseridos nesse contexto, sendo atores relevantes sobre desenvolvimento, segurança alimentar, transição energética e principalmente a reforma da governança global, posição que cria oportunidades, mas também exige parceria e coordenação entre os estados.
A CPLP possui características geopolíticas singulares. Tem Estados-membros espalhados por quatro continentes, com a presença em três oceanos estratégicos nomeadamente o Atlântico, o Índico e o Pacífico. Por conta disso, suas zonas económicas exclusivas somadas representam vastas áreas marítimas que abrangem diversos recursos naturais, tornando, por conseguinte, a CPLP um potencial ator geopolítico de projeção no concerto mundial.
A CPLP, como uma das principais potências emergentes, enfrenta desafios e oportunidades. Em um contexto de mudanças globais, a diplomacia pública e a cooperação internacional são instrumentos essenciais para influenciar a opinião pública e a decisão política, especialmente no contexto da CPLP.
A base industrial de defesa, capacidades marítimas e tradição diplomática colocam o Brasil em posição de contribuir de forma construtiva para esse concerto. Os seus compromissos sempre são compromissos constitucionais, é com a constituição, a soberania, a estabilidade, a construção de capacidades conjuntas e isso é um papel importante do Brasil dentro da CPLP.
Brasil vê a CPLP como plataforma estratégica para estabilidade, desenvolvimento, defesa cooperativa, cooperação Sul-Sul. Como oportunidades estratégicas, a cooperação de defesa na CPLP poderá contribuir para a construção de uma autonomia estratégica coletiva, cooperação em indústria de defesa, segurança marítima integrada, diplomacia coordenada em fóruns multilaterais e defesa de interesses do Sul Global.
Constituem principais desafios para a CPLP no atual contexto internacional o (i) Reforço da identidade cultural, das capacidades e competências sobretudo ao nível da segurança e defesa; (ii) Aprofundamento do multilateralismo; (iii) Maximização de sinergias (geointeligência e reforço do diálogo político-estratégico); (iv) Dinamização das capacidades conjuntas por forma a minimizar as fragilidades, (v) Concertação diplomática e parcerias estratégicas (dimensão económica, energética, militar e tecnológica) estabelecendo prioridades de cooperação e; (vi) Participação conjunta em missões humanitárias e de Apoio à Paz ONU.
O seminário pode ser revisto através do seguinte link:



Foto de Ocasião
𝐄𝐬𝐭𝐫𝐚𝐭é𝐠𝐢𝐚: 𝐄𝐬𝐭𝐮𝐝𝐚𝐫, 𝐏𝐞𝐬𝐪𝐮𝐢𝐬𝐚𝐫 𝐞 𝐃𝐢𝐟𝐮𝐧𝐝𝐢𝐫